Teseu
Aquele que de manhã vejo chegar,
cambaleante, exausto, ignóbil,
arquejante, no seu vício pungente,
que em breve (assim parece!)
ser-lhe-á por fim fatal.
Que vazio o seu olhar exprime.
Já não lhe restam forças para lutar
contra o feroz monstro;
ao princípio ainda tentou, mas perdeu-se,
e a luta agora está encerrada.
Se ao menos, como aquela
que nasceu nos confins do tempo
com tantos outros mais,
pudesse eu, ou outrem
ajudar-lhe a escapar…
Marlene Andrade
(Psicologia)
1 comentário:
O poema está mesmo lindo! Nota-se que é inspirado no mito, mas adquire um outro contexto e dinâmica. A ideia que transmite é profunda, na medida em que torna aparente a fragilidade e a ânsia da presença do outro, por parte do ser humano. Excelente reescrita mitológica, colega.
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