Reconheço desde já que sem a competência entretanto adquirida no âmbito da cadeira jamais conseguiria estabelecer uma correspondência com a versao original, embora as evidências estejam presentes as mesmas exigem uma bagagem de conhecimento e uma atençao constante ao longo do filme. Mas uma vez na presença dessa mesma bagagem de competências consegue-se estabelecer comparaçoes ´com o original e até identificar episódios bem semelhantes como o canto das sereias o episódio do ciclope. Fiquei com a ideia de que foi uma reescrita bem conseguida, uma versao com algum humor também e que respeita alguns parametros da história original, ou seja, mantém uma certa coerência.
Com os conhecimentos da cadeira e outras em que abordamos a épica Odisseia e outras obras desse interesse e conhecimento, foi possivel a meu ver conseguir estabelecer ligações deste filme fantastico e com a Odisseia de Homero. Achei tão fantastico que voltei a ver na telecine 4 e 2, para os interessados. Saudações académicas para todos! Eliana Santos
Sem sombra de dúvidas que, com o conhecimento adquirido através da cadeira de CCC, a interpretação que fazemos do filme a que assistimos atinge um outro patamar. Não só a sua assistência torna-se mais interessante e expectativa, como também a interpretação que dele fazemos é muito mais complexa, rica e esclarecedora, comparando com aquela que é formada por um espectador sem qualquer conhecimento acerca da Odisseia. Relativamente á ligação existente entre a obra e o filme, de facto, os aspectos da sereia e dos obstáculos saltam à vista do espectador, como a autora do comentário anterior referiu, mas outros aspectos são ainda implícitos, como, por exemplo, a astúcia e inteligência de Ulisses e a referência à imprudência dos companheiros de aventura. Ressalvo ainda a excelência do filme que deu a conhecer, com alguma comicidade, o clássico que é a odisseia, atribuindo-lhe a valorização e exaltação que lhe é devida.
Em primeiro lugar, refiro que o trabalho dos irmãos Coen é fabuloso, conheço apenas parte da sua obra, mas cada filme com o seu cunho surpreende, pela qualidade e pela originalidade. Irmão, onde estás? era um dos que não conhecia, mas após ter assistido ao mesmo, na aula de Terça-Feira, não foi excepção: qualidade, complexidade e originalidade no seu melhor. Atrevo-me a escrever que nunca assisti a um filme que fosse inspirado numa obra, e ao mesmo tempo, conseguisse deter um cunho tão singular e próprio, feito assombroso (sobretudo quando essa mesma obra que serve de base, é um clássico da amplitude da Odisseia). Em segundo lugar, e tal como os autores dos anteriores comentários, deixo bem patente que, sem os conhecimentos que adquiri no primeiro Módulo da cadeira de Civilizações e Culturas Clássicas, o paralelo entre a Épica de Homero e o filme dos irmãos Coen seria bastante difícil de fazer. Julgo que ficar-se-ia por elementos básicos, tais como a invocação à Musa na abertura, e o facto da personagem interpretada por Clooney ter “Ulisses” no nome. Contudo, após termos estudado a Odisseia a um nível bastante profundo, as analogias são mais claras e também mais interessantes. Encontramos alguns dos elementos mais interessantes da Épica no filme. O primeiro que identifiquei foi Tirésias, o profeta cego, que diz aos três companheiros o que irá acontecer no futuro. O episódio do Ciclope, também está presente no filme, personificado, penso eu, no fantástico actor John Goodman. No entanto, a cena que achei mais rica em paralelos, de entre todas, foi aquela em que os três companheiros chegam à praia e encontram as três raparigas. Automaticamente, lembrei-me primeiro, não das sereias, mas sim do episódio de Nausícaa, quando esta se encontra com as servas, lavando roupa. A comparação com as sereias surge de seguida, e por último, quando um dos companheiros desaparece, e duas suas roupas surge um sapo, lembrei-me de Circe, que com feitiçaria transformou os companheiros de Ulisses em porcos. Em termos de semelhanças no que concerne ao retrato psicológico, a eloquência de Ulisses, e a sua superioridade intelectual em relação aos companheiros está bem patente, assim como a irreflexão e precipitação dos últimos. Quanto à mulher de Ulisses, tal como Penélope, era a sensatez em pessoa (pelos argumentos que apresenta a Ulisses quando se encontram), mas quanto à fidelidade…nem tanto. Óptimo filme, rico em elementos cómicos (a obsessão da personagem de Clooney pela brilhantina e pelo cabelo é hilariante!), os actores que formam o trio de aventureiros funcionam na perfeição. Extremamente divertido de assistir, só faltou mesmo Elpenor, “pesado de vinho” descambar de um telhado qualquer!
4 comentários:
Reconheço desde já que sem a competência entretanto adquirida no âmbito da cadeira jamais conseguiria estabelecer uma correspondência com a versao original, embora as evidências estejam presentes as mesmas exigem uma bagagem de conhecimento e uma atençao constante ao longo do filme. Mas uma vez na presença dessa mesma bagagem de competências consegue-se estabelecer comparaçoes ´com o original e até identificar episódios bem semelhantes como o canto das sereias o episódio do ciclope. Fiquei com a ideia de que foi uma reescrita bem conseguida, uma versao com algum humor também e que respeita alguns parametros da história original, ou seja, mantém uma certa coerência.
Com os conhecimentos da cadeira e outras em que abordamos a épica Odisseia e outras obras desse interesse e conhecimento, foi possivel a meu ver conseguir estabelecer ligações deste filme fantastico e com a Odisseia de Homero. Achei tão fantastico que voltei a ver na telecine 4 e 2, para os interessados.
Saudações académicas para todos!
Eliana Santos
Sem sombra de dúvidas que, com o conhecimento adquirido através da cadeira de CCC, a interpretação que fazemos do filme a que assistimos atinge um outro patamar. Não só a sua assistência torna-se mais interessante e expectativa, como também a interpretação que dele fazemos é muito mais complexa, rica e esclarecedora, comparando com aquela que é formada por um espectador sem qualquer conhecimento acerca da Odisseia. Relativamente á ligação existente entre a obra e o filme, de facto, os aspectos da sereia e dos obstáculos saltam à vista do espectador, como a autora do comentário anterior referiu, mas outros aspectos são ainda implícitos, como, por exemplo, a astúcia e inteligência de Ulisses e a referência à imprudência dos companheiros de aventura. Ressalvo ainda a excelência do filme que deu a conhecer, com alguma comicidade, o clássico que é a odisseia, atribuindo-lhe a valorização e exaltação que lhe é devida.
verónica sousa, psicologia
Em primeiro lugar, refiro que o trabalho dos irmãos Coen é fabuloso, conheço apenas parte da sua obra, mas cada filme com o seu cunho surpreende, pela qualidade e pela originalidade. Irmão, onde estás? era um dos que não conhecia, mas após ter assistido ao mesmo, na aula de Terça-Feira, não foi excepção: qualidade, complexidade e originalidade no seu melhor. Atrevo-me a escrever que nunca assisti a um filme que fosse inspirado numa obra, e ao mesmo tempo, conseguisse deter um cunho tão singular e próprio, feito assombroso (sobretudo quando essa mesma obra que serve de base, é um clássico da amplitude da Odisseia).
Em segundo lugar, e tal como os autores dos anteriores comentários, deixo bem patente que, sem os conhecimentos que adquiri no primeiro Módulo da cadeira de Civilizações e Culturas Clássicas, o paralelo entre a Épica de Homero e o filme dos irmãos Coen seria bastante difícil de fazer. Julgo que ficar-se-ia por elementos básicos, tais como a invocação à Musa na abertura, e o facto da personagem interpretada por Clooney ter “Ulisses” no nome.
Contudo, após termos estudado a Odisseia a um nível bastante profundo, as analogias são mais claras e também mais interessantes. Encontramos alguns dos elementos mais interessantes da Épica no filme. O primeiro que identifiquei foi Tirésias, o profeta cego, que diz aos três companheiros o que irá acontecer no futuro. O episódio do Ciclope, também está presente no filme, personificado, penso eu, no fantástico actor John Goodman. No entanto, a cena que achei mais rica em paralelos, de entre todas, foi aquela em que os três companheiros chegam à praia e encontram as três raparigas. Automaticamente, lembrei-me primeiro, não das sereias, mas sim do episódio de Nausícaa, quando esta se encontra com as servas, lavando roupa. A comparação com as sereias surge de seguida, e por último, quando um dos companheiros desaparece, e duas suas roupas surge um sapo, lembrei-me de Circe, que com feitiçaria transformou os companheiros de Ulisses em porcos.
Em termos de semelhanças no que concerne ao retrato psicológico, a eloquência de Ulisses, e a sua superioridade intelectual em relação aos companheiros está bem patente, assim como a irreflexão e precipitação dos últimos. Quanto à mulher de Ulisses, tal como Penélope, era a sensatez em pessoa (pelos argumentos que apresenta a Ulisses quando se encontram), mas quanto à fidelidade…nem tanto.
Óptimo filme, rico em elementos cómicos (a obsessão da personagem de Clooney pela brilhantina e pelo cabelo é hilariante!), os actores que formam o trio de aventureiros funcionam na perfeição. Extremamente divertido de assistir, só faltou mesmo Elpenor, “pesado de vinho” descambar de um telhado qualquer!
Marlene Andrade (Psicologia)
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