segunda-feira, 30 de março de 2009
A tragédia grega
Acção, dramatismo, triunfo, paixão, erro, ironia, cegueira, castigo, beleza, terror, peripécia, catástrofe ... Tudo isso está contido na tragédia grega, facto que lhe confere, sem dúvida, universalidade e intemporalidade.
terça-feira, 24 de março de 2009
A Natureza e a Educação
Píndaro, Nemeia 3.40-2
Com reputação inata, uma pessoa tem grande poder
mas o homem que apenas aprendeu vive na escuridão;
ora soprando daqui ora dali, nunca avança
com pé seguro, mas experimenta feitos numeros com uma mente incapaz
(trad. de L. Nazaré Ferreira)
Tucídides 1.121.4
De facto, as boas qualidades que nós possuímos por natureza não as podem eles adquirir pela aprendizagem e o que, graças aos seus conhecimentos, os superioriza podemo-lo nós eliminar pelo exercício.
(trad. J. Ribeiro Ferreira)
Antifonte fr. 62 D
Quando alguém convive com outrem a maior parte do dia, necessariamente se torna semelhante a ele na maneira de ser.
(trad. J. Ribeiro Ferreira)
Com reputação inata, uma pessoa tem grande poder
mas o homem que apenas aprendeu vive na escuridão;
ora soprando daqui ora dali, nunca avança
com pé seguro, mas experimenta feitos numeros com uma mente incapaz
(trad. de L. Nazaré Ferreira)
Tucídides 1.121.4
De facto, as boas qualidades que nós possuímos por natureza não as podem eles adquirir pela aprendizagem e o que, graças aos seus conhecimentos, os superioriza podemo-lo nós eliminar pelo exercício.
(trad. J. Ribeiro Ferreira)
Antifonte fr. 62 D
Quando alguém convive com outrem a maior parte do dia, necessariamente se torna semelhante a ele na maneira de ser.
(trad. J. Ribeiro Ferreira)
sábado, 21 de março de 2009
Sófocles, Filoctetes 169 ss. (trad. de J. Ribeiro Ferreira)
[Coro]
Eu penso nele com piedade, porque
sem ter mortal que o assista,
sem a presença de um rosto amigo,
o infeliz, sempre sozinho,
sofre de cruel doença
e vagueia por todo o lado
em busca do que lhe falta. Como pode, como,
resistir o desgraçado?
Ó planos dos mortais,
ó desventurada raça humana,
quando excede a mediania.
E este homem que por certo às mais ilustres
famílias nada fica a dever,
privado de tudo na vida,
aqui está, sozinho, longe dos outros,
por companhia as malhadas e hirsutas
feras; e grita, a um tempo por dores
e fome torturado e incuráveis
cuidados oprimido,
enquanto o loquaz
Eco que vem dos seus tristes
lamentos ressoa ao longe.
Eu penso nele com piedade, porque
sem ter mortal que o assista,
sem a presença de um rosto amigo,
o infeliz, sempre sozinho,
sofre de cruel doença
e vagueia por todo o lado
em busca do que lhe falta. Como pode, como,
resistir o desgraçado?
Ó planos dos mortais,
ó desventurada raça humana,
quando excede a mediania.
E este homem que por certo às mais ilustres
famílias nada fica a dever,
privado de tudo na vida,
aqui está, sozinho, longe dos outros,
por companhia as malhadas e hirsutas
feras; e grita, a um tempo por dores
e fome torturado e incuráveis
cuidados oprimido,
enquanto o loquaz
Eco que vem dos seus tristes
lamentos ressoa ao longe.
sexta-feira, 20 de março de 2009
A Prova de CCC
Menos desgastante do que o suplício de Sísifo,
menos surpreendente do que as metamorfoses de Atena,
mais fácil do que o enigma da Esfinge,
tão simples e ardilosa como Penélope,
menos demorada do que o regresso de Ulisses.
menos surpreendente do que as metamorfoses de Atena,
mais fácil do que o enigma da Esfinge,
tão simples e ardilosa como Penélope,
menos demorada do que o regresso de Ulisses.
quinta-feira, 19 de março de 2009
Manuel Alegre, 30 Anos de Poesia
Ítaca
1.
Ítaca estava dentro: era uma luz um rosto um cheiro
a sombra em certas tardes na sala de jantar
ou o teu sorriso debaixo da ameixieira.
Um sítio. Um sítio sagrado algures no tempo.
Um sítio por dentro. Um obscuro ponto
no mapa luminoso
do coração.
Para sempre só teu
para sempre escondido.
Como Ulisses ninguém volta ao que perdeu
como Ulisses não serás reconhecido.
2.
Não vale a pena suportar tanto castigo.
Procuras Ítaca. Mas só há esse procurar.
Onde quer que te encontres está contigo
dentro de ti em casa na distância
onde quer que procures há outro mar
Ítaca é tua própria errância.
Regresso a Ítaca
Conheces a casa pelos cheiros e os ruídos
As sombras na parede a certas horas
Uma jarra de rosas sobre a mesa
E a primavera no quintal com seu perfume
De terra e musgo e buxo e flores de limoeiro
Conheces a casa até por sua música
Que é um branco silêncio povoado
Por móveis e tapetes ecos vozes
Este devia ser o teu lugar sagrado
Aquela Ítaca secreta que pensavas
Quando buscavas um caminho ou um destino
Mas eis que chegas e algo está mudado
É certo que na vila os velhos te reconheceram
Como a Ulisses o fiel porqueiro
Porém na casa algo está diferente
O teu próprio retrato te parece um outro
E mais do que nunca sentes-te estrangeiro
Por isso o teu exílio é sem remédio
1.
Ítaca estava dentro: era uma luz um rosto um cheiro
a sombra em certas tardes na sala de jantar
ou o teu sorriso debaixo da ameixieira.
Um sítio. Um sítio sagrado algures no tempo.
Um sítio por dentro. Um obscuro ponto
no mapa luminoso
do coração.
Para sempre só teu
para sempre escondido.
Como Ulisses ninguém volta ao que perdeu
como Ulisses não serás reconhecido.
2.
Não vale a pena suportar tanto castigo.
Procuras Ítaca. Mas só há esse procurar.
Onde quer que te encontres está contigo
dentro de ti em casa na distância
onde quer que procures há outro mar
Ítaca é tua própria errância.
Regresso a Ítaca
Conheces a casa pelos cheiros e os ruídos
As sombras na parede a certas horas
Uma jarra de rosas sobre a mesa
E a primavera no quintal com seu perfume
De terra e musgo e buxo e flores de limoeiro
Conheces a casa até por sua música
Que é um branco silêncio povoado
Por móveis e tapetes ecos vozes
Este devia ser o teu lugar sagrado
Aquela Ítaca secreta que pensavas
Quando buscavas um caminho ou um destino
Mas eis que chegas e algo está mudado
É certo que na vila os velhos te reconheceram
Como a Ulisses o fiel porqueiro
Porém na casa algo está diferente
O teu próprio retrato te parece um outro
E mais do que nunca sentes-te estrangeiro
Por isso o teu exílio é sem remédio
Autor Anónimo - Novembro de 1997 (reescrito quase continuamente)
Regresso re(des)conhecido
Ítaca, Ítaca ...
feliz e saudosa pátria
que não te apartas do meu pensamento.
Quão distantes vagueiam as minhas e as tuas tenras memórias!
O frémito dos cavalos o alarido da ágora
os choros sentidos das crianças
a desordenada correria à chegada de incógnitos homens...
Tudo eu queria de novo ver ouvir cheirar.
Mas continuo a errar por esse interminável mar
onde as margens são deuses impiedosos
que jogam a minha fortuna sem pressa.
Os peixes socorro nas horas de desânimo não habitam nestas águas.
Posídon deus funesto que me sacode no mar vinhoso.
Antes tivesse banido cuidados sem fim!
Meu povo meu filho e minha esposa aguardam-me
nas cinzentas janelas do amplo palácio dilacerado por esses
néscios devoradores de bens alheios.
Sangrento sono mortal terão no meu regresso.
Tu minha fiel companheira Atena
abre uma porta para a minha terra nesse horizonte incerto e turvo.
Sentindo a ânsia que brame no meu peito onde fervem as lágrimas
choradas pelos companheiros perdidos nas ciclópicas desventuras ...
Já me invade o cheiro das itacenses flores que Éolo empurra
para a vazia nau de leme incerto.
Eis chegado o momento apetecido ... e temido.
Não sei se Ítaca me reconhecerá passados tão longos anos
Não sei eu próprio se me reconhecerei na Ítaca presente
Não sei se não seremos dois estranhos.
Irreal Ítaca desenhada em mim estranharão as tuas ruas
edifícios gentes à vista deste ardiloso combatente?
Ítaca, Ítaca ...
feliz e saudosa pátria
que não te apartas do meu pensamento.
Quão distantes vagueiam as minhas e as tuas tenras memórias!
O frémito dos cavalos o alarido da ágora
os choros sentidos das crianças
a desordenada correria à chegada de incógnitos homens...
Tudo eu queria de novo ver ouvir cheirar.
Mas continuo a errar por esse interminável mar
onde as margens são deuses impiedosos
que jogam a minha fortuna sem pressa.
Os peixes socorro nas horas de desânimo não habitam nestas águas.
Posídon deus funesto que me sacode no mar vinhoso.
Antes tivesse banido cuidados sem fim!
Meu povo meu filho e minha esposa aguardam-me
nas cinzentas janelas do amplo palácio dilacerado por esses
néscios devoradores de bens alheios.
Sangrento sono mortal terão no meu regresso.
Tu minha fiel companheira Atena
abre uma porta para a minha terra nesse horizonte incerto e turvo.
Sentindo a ânsia que brame no meu peito onde fervem as lágrimas
choradas pelos companheiros perdidos nas ciclópicas desventuras ...
Já me invade o cheiro das itacenses flores que Éolo empurra
para a vazia nau de leme incerto.
Eis chegado o momento apetecido ... e temido.
Não sei se Ítaca me reconhecerá passados tão longos anos
Não sei eu próprio se me reconhecerei na Ítaca presente
Não sei se não seremos dois estranhos.
Irreal Ítaca desenhada em mim estranharão as tuas ruas
edifícios gentes à vista deste ardiloso combatente?
quarta-feira, 18 de março de 2009
sexta-feira, 6 de março de 2009
Ilíada I. 1-7
Canta, ó deusa, a cólera de Aquiles, o Pelida
(mortífera!, que tantas dores trouxe aos Aqueus
e tantas almas valentes de heróis lançou no Hades,
Ficando seus corpos como presa para cães e aves
De rapina, enquanto se cumpria a vontade de Zeus),
Desde o momento em que primeiro se desentenderam
o Atrida, soberano dos homens, e o divino Aquiles.
(trad. de Frederico Lourenço, Cotovia)
(mortífera!, que tantas dores trouxe aos Aqueus
e tantas almas valentes de heróis lançou no Hades,
Ficando seus corpos como presa para cães e aves
De rapina, enquanto se cumpria a vontade de Zeus),
Desde o momento em que primeiro se desentenderam
o Atrida, soberano dos homens, e o divino Aquiles.
(trad. de Frederico Lourenço, Cotovia)
Hesíodo, Trabalhos e Dias 202-212
E agora contarei uma fábula aos reis, sábios que eles sejam.
Deste modo falou o gavião ao rouxinol de pescoço manchado,
enquanto o levava muito alto, entre as nuvens, preso nas garras.
E o infeliz, trespassado pelas garras recurvas,
gemia. Brutal, lhe dirigiu o gavião estas palavras:
“Insensato, por que gritas? Agora tem-te quem é muito mais forte.
Irás para onde eu te levar, por bom cantor que sejas;
se me apetecer, refeição farei de ti ou te deixarei ir em liberdade.
Louco quem pretende medir-se com os mais poderosos;
vê-se privado da vitória e à vergonha associa sofrimentos”.
Assim falou o gavião de voo rápido, a ave de longas asas.
(trad. José Ribeiro Ferreira, INCM)
Deste modo falou o gavião ao rouxinol de pescoço manchado,
enquanto o levava muito alto, entre as nuvens, preso nas garras.
E o infeliz, trespassado pelas garras recurvas,
gemia. Brutal, lhe dirigiu o gavião estas palavras:
“Insensato, por que gritas? Agora tem-te quem é muito mais forte.
Irás para onde eu te levar, por bom cantor que sejas;
se me apetecer, refeição farei de ti ou te deixarei ir em liberdade.
Louco quem pretende medir-se com os mais poderosos;
vê-se privado da vitória e à vergonha associa sofrimentos”.
Assim falou o gavião de voo rápido, a ave de longas asas.
(trad. José Ribeiro Ferreira, INCM)
domingo, 1 de março de 2009
Sófocles, Antígona 365-373
Da sua arte o engenho subtil
para além do que se espera, ora o leva
ao bem, ora ao mal;
se da terra preza as leis e dos deuses
na justiça faz fé, grande é a cidade;
mas logo a perde
quem por audácia incorre no erro.
(trad. M. H. Rocha Pereira)
para além do que se espera, ora o leva
ao bem, ora ao mal;
se da terra preza as leis e dos deuses
na justiça faz fé, grande é a cidade;
mas logo a perde
quem por audácia incorre no erro.
(trad. M. H. Rocha Pereira)
Isidoro de Sevilha, Etim. 1.3.1
As letras têm o poder de nos transmitirem silenciosamente as palavras dos ausentes.
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