E agora contarei uma fábula aos reis, sábios que eles sejam.
Deste modo falou o gavião ao rouxinol de pescoço manchado,
enquanto o levava muito alto, entre as nuvens, preso nas garras.
E o infeliz, trespassado pelas garras recurvas,
gemia. Brutal, lhe dirigiu o gavião estas palavras:
“Insensato, por que gritas? Agora tem-te quem é muito mais forte.
Irás para onde eu te levar, por bom cantor que sejas;
se me apetecer, refeição farei de ti ou te deixarei ir em liberdade.
Louco quem pretende medir-se com os mais poderosos;
vê-se privado da vitória e à vergonha associa sofrimentos”.
Assim falou o gavião de voo rápido, a ave de longas asas.
(trad. José Ribeiro Ferreira, INCM)
Sem comentários:
Enviar um comentário