Centro de Competência de Artes e Humanidades da Universidade da Madeira
quarta-feira, 31 de março de 2010
Exercício livre
Qual o teu episódio favorito da Odisseia? Justifica.
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2 comentários:
Anónimo
disse...
A Odisseia tem imensos episódios interessantes, e personagens mais interessantes ainda. Apesar de adorar a mitologia, e as cenas em que figuram os deuses, o episódio que gostei mais foi o do reconhecimento de Ulisses pela velha ama, Euricleia, no canto XIX. Achei lindíssimas, as frases que Penélope disse a Ulisses, sem saber que falava com o próprio:
"Tenho uma serva velha, muito compreensiva, que amamentou e criou o meu pobre marido, recebendo-o nos braços no dia em que a mãe o deu à luz. Ela te lavará os pés, embora esteja já diminuída pela idade. Anda lá, ó sensata Euricleia, levanta-te agora: lava os pés de quem tem a idade do teu amo. Serão assim os pés e as mãos de Ulisses; pois rapidamente os homens envelhecem em circunstâncias adversas."
E os versos do momento do reconhecimento:
"Ao espírito da anciã vieram ao mesmo tempo alegria e tristeza. Os olhos encheram-se de lágrimas; a voz ficou presa na garganta. Tocou no queixo de Ulisses e logo lhe dirigiu estas palavras:
"És Ulisses, meu querido filho! E eu que não te reconheci, antes de tocar com as minhas mãos no corpo do amo!""
Foi a parte da obra que mais me emocionou, porque valoriza imenso a parte humana, e os sentimentos, algo que, na minha opinião, todos os outros cantos não valorizam, visto terem como objectivo enaltecer a inteligência e os "ardis" de Ulisses, e os perigos e situações que ele enfrenta para regressar a Ítaca. E chegar a um ponto em que a história se torna mais profunda, a nível emotivo, é muito gratificante, para quem lê a Odisseia pela primeira vez.
Os versos que falam de Argos, são, também, extremamente comoventes e bonitos, é fantástico numa obra tão antiga, ser descrito já o papel do animal, fiel e amigo
O canto que mais me marcou foi o XXIV, porque marca o reencontro de Ulisses com o pai, Laertes, após vinte anos de separação. Assinala a força dos laços familiares, o espírito de família, infelizmente cada vez mais em desuso nos dias de hoje. O episódio é comum em outras obras literárias (a própria Bíblia retrata o regresso do filho pródigo e a comunhão, o perdão entre ambos), mas na Odisseia tem uma força diferente, porque Laertes quer acreditar, mas ao mesmo tempo duvida. E quando pede a Ulisses que lhe dê um sinal, é quase como se tivesse medo de que o seu filho não estivesse ali, que fosse um impostor. Ulisses recorda os tempos de infânca, felizes, com a mãe e com o pai, e o seu progenitor reconhece a sua veracidade. Abraçam-se, o epílogo feliz da odisseia do aventureiro, o regresso a casa, à família e sobretudo à terra que tanto amava. O guerreiro está de volta, as armas estão pousadas. A tragédia ficou para trás, o último canto é de felicidade, que pode ser romanceado, mas que todos nós, no fundo, ansiamos. Desde o primeiro capítulo que desejamos que Ulisses regresse a casa. Homero (ou quem passou a épica da oralidade para a escrita) fez a vontade aos leitores. É uma forma de realçar o heroísmo grego, uma forma de contar os feitos do povo e sobretudo dos seus heróis, mas não deixa de ser uma história com um final feliz.
2 comentários:
A Odisseia tem imensos episódios interessantes, e personagens mais interessantes ainda. Apesar de adorar a mitologia, e as cenas em que figuram os deuses, o episódio que gostei mais foi o do reconhecimento de Ulisses pela velha ama, Euricleia, no canto XIX. Achei lindíssimas, as frases que Penélope disse a Ulisses, sem saber que falava com o próprio:
"Tenho uma serva velha, muito compreensiva,
que amamentou e criou o meu pobre marido,
recebendo-o nos braços no dia em que a mãe o deu à luz.
Ela te lavará os pés, embora esteja já diminuída pela idade.
Anda lá, ó sensata Euricleia, levanta-te agora:
lava os pés de quem tem a idade do teu amo. Serão assim
os pés e as mãos de Ulisses; pois rapidamente
os homens envelhecem em circunstâncias adversas."
E os versos do momento do reconhecimento:
"Ao espírito da anciã vieram ao mesmo tempo alegria e tristeza.
Os olhos encheram-se de lágrimas; a voz ficou presa na garganta.
Tocou no queixo de Ulisses e logo lhe dirigiu estas palavras:
"És Ulisses, meu querido filho! E eu que não te reconheci,
antes de tocar com as minhas mãos no corpo do amo!""
Foi a parte da obra que mais me emocionou, porque valoriza imenso a parte humana, e os sentimentos, algo que, na minha opinião, todos os outros cantos não valorizam, visto terem como objectivo enaltecer a inteligência e os "ardis" de Ulisses, e os perigos e situações que ele enfrenta para regressar a Ítaca. E chegar a um ponto em que a história se torna mais profunda, a nível emotivo, é muito gratificante, para quem lê a Odisseia pela primeira vez.
Os versos que falam de Argos, são, também, extremamente comoventes e bonitos, é fantástico numa obra tão antiga, ser descrito já o papel do animal, fiel e amigo
Marlene Andrade (Psicologia)
O canto que mais me marcou foi o XXIV, porque marca o reencontro de Ulisses com o pai, Laertes, após vinte anos de separação. Assinala a força dos laços familiares, o espírito de família, infelizmente cada vez mais em desuso nos dias de hoje.
O episódio é comum em outras obras literárias (a própria Bíblia retrata o regresso do filho pródigo e a comunhão, o perdão entre ambos), mas na Odisseia tem uma força diferente, porque Laertes quer acreditar, mas ao mesmo tempo duvida. E quando pede a Ulisses que lhe dê um sinal, é quase como se tivesse medo de que o seu filho não estivesse ali, que fosse um impostor. Ulisses recorda os tempos de infânca, felizes, com a mãe e com o pai, e o seu progenitor reconhece a sua veracidade. Abraçam-se, o epílogo feliz da odisseia do aventureiro, o regresso a casa, à família e sobretudo à terra que tanto amava.
O guerreiro está de volta, as armas estão pousadas.
A tragédia ficou para trás, o último canto é de felicidade, que pode ser romanceado, mas que todos nós, no fundo, ansiamos.
Desde o primeiro capítulo que desejamos que Ulisses regresse a casa. Homero (ou quem passou a épica da oralidade para a escrita) fez a vontade aos leitores.
É uma forma de realçar o heroísmo grego, uma forma de contar os feitos do povo e sobretudo dos seus heróis, mas não deixa de ser uma história com um final feliz.
Alda Rodrigues (CCO)
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